Casa LIDE debate a saúde com especialistas e autoridades

Foto: Luciano Farias
A aplicação de novas tecnologias, o uso da inteligência artificial e a ampliação do acesso aos serviços de saúde estiveram no centro dos debates do Seminário LIDE Saúde, realizado nesta terça-feira (25), na Casa LIDE, em São Paulo. O encontro reuniu empresários e especialistas do setor para discutir soluções e oportunidades para o desenvolvimento da saúde no Brasil.
O evento foi dividido em dois painéis. O primeiro abordou tecnologia e saúde, com foco em telemedicina, inteligência artificial e medicina de precisão. Já o segundo debateu saúde primária, capacitação médica e o uso de recursos tecnológicos na melhoria dos processos.

No primeiro painel, João Bezerra Leite, médico ortopedista e Chief Medical Officer da X-VIA Saúde, destacou que um dos principais desafios da saúde pública é conseguir atuar de maneira preventiva e ampliar o alcance do atendimento.
“Para resolver a saúde pública é preciso chegar antes, no lugar certo e a mais pessoas”, afirmou.
O médico também defendeu uma utilização mais ampla da inteligência artificial como ferramenta de apoio à medicina. Segundo ele, a tecnologia pode contribuir para aumentar a precisão dos diagnósticos, em um cenário no qual pacientes frequentemente precisam consultar diversos especialistas até chegar à identificação correta de um problema.
Bezerra Leite ressaltou que, atualmente, um paciente pode passar por cinco ou seis médicos até alcançar o diagnóstico correto, evidenciando a necessidade de processos mais eficientes e integrados.
Para Conrado Cavalcanti, vice-presidente da Amil, entretanto, a adoção de tecnologia precisa estar vinculada a um planejamento adequado. “Tecnologia só funciona se for associada a estratégia”, afirmou.
A mesma preocupação foi apresentada por Adriana Costa, CEO da Siemens Healthineers. Para ela, a inovação não pode ser dissociada da democratização do acesso aos serviços de saúde.
“Tecnologia sem acesso, ela só vai ampliar as injustiças que temos em nosso País”, declarou.
No segundo painel, o debate reforçou a necessidade de utilizar ferramentas digitais não apenas como recursos isolados, mas integradas à rotina dos profissionais.

Empresas de Telemedicina e Saúde) – Foto: Luciano Farias
Carlos Henrique Pedrotti, médico cardiologista pela Universidade de São Paulo (USP) e presidente da SDB – Associação Brasileira de Empresas de Telemedicina e Saúde, destacou o papel da telemedicina na modernização dos sistemas.
“A telemedicina é determinante para a renovação dos processos internos”, afirmou.
Na avaliação de Alexandre Valim, diretor médico da DASA, a inteligência artificial precisa estar inserida diretamente no fluxo de trabalho para produzir resultados efetivos.
“IA só gera valor quando entra no fluxo de trabalho”, disse.
A relação entre tecnologia e humanização também foi destacada por Giovanni Cerri, médico radiologista e presidente do InovaHC. Para ele, os recursos tecnológicos podem contribuir para aproximar os profissionais dos pacientes.
“Tecnologia melhora a relação entre profissionais e pacientes”, afirmou.
Outro ponto abordado no segundo painel foi a importância da qualificação dos profissionais que atuam na linha de frente do atendimento. Lucia Rossato, CEO da Medley, chamou atenção para a presença dos farmacêuticos na estrutura de atendimento à população.
“O número de farmácias no Brasil é quase o dobro das UBS, os farmacêuticos precisam ser capacitados sempre”, afirmou.
A declaração reforça a necessidade de ampliar a capacitação dos profissionais que estão próximos da população e podem desempenhar papel importante na orientação e no acompanhamento dos pacientes, hoje as farmácias fazem inúmeros testes rápido e aplicam vacinas.

Os debates do Seminário LIDE Saúde apontaram para um consenso entre os especialistas: a tecnologia tem potencial para transformar a prestação de serviços de saúde, mas seus resultados dependem de planejamento, integração, capacitação profissional e, principalmente, acesso.
Ao reunir diferentes setores da cadeia da saúde, o evento colocou em evidência desafios que vão desde a precisão do diagnóstico e a utilização da inteligência artificial até a expansão da telemedicina e o fortalecimento da atenção primária.
A discussão mostra que o avanço tecnológico, para produzir impacto efetivo no sistema de saúde brasileiro, precisa estar acompanhado de estratégias capazes de garantir eficiência e ampliar o acesso da população aos serviços.
Texto e Fotos: Luciano Farias
