Santa Resistência celebra Mangueira em verde e rosa no SPFW

Shakespeare caiu no samba: Santa Resistência celebra a Mangueira em verde e rosa

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Se Shakespeare imaginou que Otelo terminaria para sempre em tragédia, a Santa Resistência apresentou outra possibilidade: subir o morro, ouvir um samba e dar uma nova chance ao amor. Na coleção “Otelo Brasileiro, uma Paixão em Verde e Rosa”, Mônica Sampaio aproxima o clássico inglês do musical “Otelo da Mangueira”, de Gustavo Gasparani, ambientado na comunidade carioca dos anos 1940. Nessa versão, Desdêmona é dona da própria história, e o ciúme de Otelo perde espaço para uma paixão com jeito de Carnaval.

Fotos: Leco Vianna / TheNews2

O verde e o rosa dão o tom da festa e aparecem nos bordados com trechos de sambas, nos botões em formato de rosa e no jacquard desenvolvido pela RenauxView, que aproxima o vestuário elisabetano das fantasias da Mangueira. As aquarelas de Marcela Citon trazem figuras como Cartola, Alcione, Mussum e Nelson Cavaquinho para essa celebração. Um encontro de respeito, daqueles em que a vontade é reconhecer cada homenagem e já começar a cantar.

Foto: Leandro Chemalle / TheNews2

O brilho também vem das mãos de quem construiu a coleção: dos bordados de Cris Iglesias às miçangas de madeira do Ateliê Massanga, passando pelas tapeçarias de Dona Ilma e pelas bolsas de taboa de Dona Benedita. A alfaiataria de Marcos Bernardino e os sapatos da Gomes Calçados acrescentam a elegância de quem conhece o caminho da roda de samba. Já o Coletivo de Costureiras da Maré, responsável por cerca de 70% das peças, e os jovens da ONG Spectaculu reforçam o caráter coletivo dessa história.

Nessa passarela, tradição e tecnologia também dançam juntas: acessórios em impressão 3D de Nelson Rico encontram biopigmentos microbianos da Aiper, couro em parceria com Fernanda Bilhar, joias de Vivi Guimarães e camisetas de Sarah Santos e Gab Carvalho. Com trilha de Pretinho da Serrinha, a Santa Resistência faz da moda uma celebração da cultura brasileira, cheia de cor, memória e alegria. Shakespeare forneceu o drama; a Mangueira entrou com o ritmo para mudar o final.

Texto: Ariane Ponce

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