Terceiro dia de SPFW tem Xamã, alfaiataria refinada e ciranda de Ronaldo Fraga

O Terceiro dia de desfiles do São Paulo Fashion Week teve todos desfiles ocorrendo no PACUBRA no Parque do Ibirapuera, e, diferente do dia anterior que teve dificuldades devido as fortes chuvas que bloquearam a entrada do evento, tudo correu com tranquilidade e não houve grandes atrasos dos desfiles. O ponto fraco ficou para o calor muito forte nas salas de desfile, a ponto de um dos estilistas ter distribuídos ventiladores portáteis para seus convidados da fila A.
Confira nas análises da colunista de moda Thaisa Peralta:
Catarina Mina
Celina Hissa, trabalhou a brasilidade através dos bordados manuais tridimensionais, tecidos de fibras naturais, upcycling, texturas, brilho e uma simplicidade sofisticada para looks de praia respiráveis, fáceis de usar em cores neutras.
A feminilidade reverbera maturidade através de uma expressão interessante com toda a composição dos acessórios marcantes e funcionais como nos colares e bolsas. Os brincos, o guarda-chuva e os tênis prateados e em cores entregam uma mulher determinada e apaixonada pela vida.


Fotos: Leco Vianna / TheNews2
O fundo azul do desfile trouxe a atmosfera da natureza mais próxima do ambiente praiano.
Se as férias estão chegando, queremos estar de Catarina Mina.
Sou de Algodão por Ronaldo Fraga

O desfile entregou criatividade, brasilidade e a valorização da fibra nacional e sustentável: o Algodão.
Com uma decoração ambiente de roupas brancas algumas com manifestos e cruzadas no ambiente de varais aumentavam a dimensão do espaço.
Música brasileira, roupas criativas e novas!
Entre os tons de brancos e areia, os tecidos se sobrepunham com alguns dizeres e a magia da modelagem acontecia entre volumes, comprimentos curtos, recortes e uma moda autoral. Ronaldo trouxe frescor, trouxe o branco sujo de barro, a botinha de couro, os brincos maximalistas e um cabelo genial!! Fez tranças, coques, estruturas e bob’s com a pluma de algodão para esta virar um acessório exclusivo.
Os Cintos de couro marrom com ergonometria sobrepostos são diferentões e ornamentados para adereços acoplados, trazem a referência histórica de ter itens na cintura com utilidade, praticidade e bom gosto. Com certeza esse foi um dos pontos em maior destaque dos looks, por característica única e exclusiva.
Ronaldo, celebrou a natureza, folhas, flores e o algodão com aplicações opulentas, visivelmente sendo protagonistas e re-tratadas de uma maneira mais real, menos perfeita ou poética, cores até apáticas mas na sua essência o DNA do simples tão singular.
É uma coleção de verão gostosa de vestir, de fácil composição e que arremata o look para sua principal identidade: peças com personalidade que você não vai encontrar em loja de shopping e sim com a assinatura desse grande estilista brasileiro.
Dário Mittimann

Eh uma coleção de difícil compreensão porque transita em vários mundos. Entre artigos fofos, elementos infantis, cores também mora a revolta, o inconformismo, o preto total, o vermelho tomate (sanguíneo), e o branco assombrado.
Eh um desfile que não pede sua compreensão, ela desperta sensação, seja ela de desconforto, seja pela sobreposição exagerada, pelos looks talvez previsíveis, pelo apelo ao gótico, ao coelho Sanção brilhante e pela desconexão entre um e outro, você sente tudo isso e compreende a pluralidade do indivíduo que busca uma identidade ou um indivíduo que pode ser tudo ao mesmo tempo.
O ponto chave deste desfile foram os charms da turma da Mônica aplicados aos tênis, colares, cintos e em excesso nas jaquetas. Este convergiu diretamente com a Gen Z e desperta desejo pela cor metalizada mas com suaves respingos de tinta, demonstra a entrega de algo pensado, único e com efeito sobre a entrega do look final.
Dario, trouxe alguns vestidos corseletes com o trabalho de moulage impecáveis e calças de couro com amarração lateral e frontal.

Neste desfile nada eh óbvio! Até o jeans com lavagens neutras traz na sua essência o fio da Repreve, ou seja, a matéria-prima do Denim utiliza 100% de fio de poliéster reciclável e em meio ao caos de informações a essência na busca pelo tecido com menor impacto ambiental prevalece e isso muda tudo. Por mais estilistas conscientes assim!
Ah! Quanto ao cenário de gibi, o encantamento daquele jardim com grandes flores e bonecos gigantes conectaram com o público presente, uma nostalgia tipicamente brasileira.
João Pimenta

Se tem alguém no Brasil que domina alfaiataria masculina é o próprio João Pimenta! Que entrega!
O conceito da alfaiataria foi multiplicado para novas interfaces: frente única, macacão curto, longo, saia, vestido, body, sobreposições, ajustes costas, fendas com volumes, gravatas borboletas, alinhavos e fios, P&B.. uau, foi um show a parte a quantidade de modelos dispostos e a cada entrada era notório a perfeição das costuras e modelagem.
João, entregou uma coleção de bolsas de couro masculina de bom gosto e assim como no vestuário, o tato, essa sensibilidade para o acerto em uma linha masculina prevaleceu e encheu os olhos.
O make-up chegou para marcar: franjas loiras lisas aplicadas contrapunham as novas experiências para o Fit masculino lapidando o código tradicional social.
Com um casting de homens negros e indígenas, a coleção tem uniformidade e força na entrega.
Você assiste ao desfile e sai diferente: mais inspirado.
