Casa LIDE é palco para debate político e econômico brasileiro

Luiz Felipe D’Avila, cientista político, escritor e fundador do CLP (Centro de Liderança Pública) - Foto: Leco Viana
O “Seminário Empresarial LIDE – Cenários do Brasil” reuniu nesta terça-feira (29), na Casa LIDE, em São Paulo, empresários, cientistas políticos, jornalistas e especialistas para discutir os cenários político e econômico do país diante da eleição presidencial que se aproxima. O evento teve entre os temas centrais as perspectivas para a economia, o comportamento do eleitor e os desafios da democracia brasileira.
Na abertura, o economista Adolfo Sachsida chamou atenção para a situação fiscal brasileira e afirmou que, sem uma correção de rumo, a dívida do país poderá dobrar em seis anos diante de uma taxa de juros de 14% ao ano.
Ao longo do seminário, os participantes apresentaram diferentes análises sobre o ambiente político e econômico. Silvio Cascione, Head da Eurasia Group no Brasil, afirmou que “o Brasil é uma retaguarda estratégica para investidores”, destacando a posição do país no cenário internacional.
Na avaliação do publicitário Lula Guimarães, “Bolsonaro sequestrou a chance da direita fazer um bom governo”. O analista também afirmou que “a polarização nos trouxe uma espécie de cegueira”, ao abordar os efeitos do ambiente político dos últimos anos.

O cenário eleitoral também esteve no centro dos debates. O estrategista Daniel Braga avaliou que, no contexto atual, será difícil para Lula reverter um índice de 50% de rejeição, já Murilo Hidalgo, da Paraná pesquisas, por sua vez, considerou “pouco provável” que a eleição termine ainda no primeiro turno.
A diretora geral do Datafolha, Luciana Chong, observou mudanças no comportamento do eleitorado em relação à eleição de 2022. Segundo ela, “o eleitor nessa eleição está menos mobilizado que em 2022 e parte das mulheres e dos jovens ainda não definiu o voto”.

A relação entre democracia e participação popular também foi abordada. a jornalista Deysi Cioccari afirmou que “democracias frágeis procuram homens bons, democracias maduras nos fazem não depender deles” e Luiz Felipe D’Avila, cientista político, defendeu maior participação da sociedade no processo democrático afirmando que “nós nunca teremos uma democracia ávida se continuarmos na arquibancada”.

D’Avila também declarou que, sempre que um populista chega ao poder, “as instituições são atacadas e desacreditadas”, relacionando a participação social à preservação das instituições democráticas.
Renato Meirelles, do Instituto Locomotiva, destacou a importância da mobilização eleitoral. Segundo ele, “o candidato que ganhar é o que fizer o eleitor sair de casa”.
Na área econômica, a jornalista Thais Herédia avaliou que “o Banco Central é a única instituição que está funcionando minimamente”, enquanto o cientista político Bolívar Lamounier apresentou uma perspectiva negativa para o próximo ano e afirmou que “o cenário atual não é bom, independente do resultado teremos um 2027 ruim”.
O seminário reuniu diferentes análises sobre economia, comportamento do eleitor, instituições e perspectivas para o próximo ciclo político brasileiro.
Texto: Luciano Farias
Fotos: Leco Viana
